Zero e Ene: entre o real e o imaginário

Fonte: vejasp.abril.com.br
   Dizer N coisas, ter N motivos, viajar para N lugares. Essas são expressões que ouvimos com muita frequência no nosso dia a dia. Por convenção, sabemos que o N é sinônimo de muito. Muitas coisas para fazer, ter muitos motivos, viajar para muitos lugares. Mas ai é que surgem grandes questões: por que o N? Quem inventou a expressão? Onde ficam as outras letras do alfabeto nessa história? Dúvidas bem pertinentes para aqueles mais curiosos.
 Mas, como para quase tudo no mundo, a escolha do símbolo tem sim uma explicação. A letra N é a representação matemática do enésimo número. Ele nunca foi alcançado, medido, ou seja, não se sabe que número é esse. Daí vem o seu emprego como expressão de quantidade/distância. São tantas coisas para dizer, tantos motivos para ter e tanto lugares para viajar que nem mesmo a ciência consegue contar. 
Fonte: parlapatoes.com.br
  E assim funciona também a nossa existência. Cada pessoa
tem seu ene assim como cada zero tem as suas aspirações. Começamos a vida como zeros e com o passar dos anos vamos evoluindo em busca do nosso ene, em busca do nosso verdadeiro eu. 
  Mas essa perseguição nem sempre é fácil. O caminho de zero a ene parece infinito. É como se fossem dois extremos presos ao mesmo corpo, mas que não conseguem se encontrar. Dependem um do outro para existir, mas vivem em busca de objetivos opostos.
  Com esse conflito de interesses, acabamos nos desviando ainda mais nossos enes. Vivemos num eterno desejo de aceitação perante a sociedade, de encaixe nos padrões, de existência diante dos outros que acabamos virando o que não somos. Aos poucos, essa inversão de valores vai matando o nosso ene, vai sufocando quem realmente gostaríamos de ser, mantendo-nos eternamente presos ao zero.
   Essa é a história da tragicomédia “O longo caminho que vai de Zero a Ene”, do dramaturgo Timochenco Whebi. O autor se destacou nos primeiros anos da década de 70, levando para os palcos personagens densas, conflituosas e que transitam entre os mundos real e imaginário.  
 Com produção do diretor Wanderley Damaceno, o espetáculo foi encenado no dia 26/08, no Teatro união Cultural, em São Paulo. Anderson Negreiro e David Carolla interpretam as personagens Zero e Ene na peça, que tem participação especial de Elaine Gomes dando vida à voz da consciência.




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