Deslocamento físico há muito tempo não é mais pré-requisito
para se fazer uma viagem. O desenvolvimento da tecnologia, aliado à facilidade
de acesso aos seus recursos, contribuiu para as mudanças na formatação do
conceito de turismo, permitindo conhecer o mundo em alguns poucos cliques. Para
os mais pessimistas, um fenômeno algoz, pronto para dizimar a experimentação in
loco dos destinos. Para os guias mais antenados, uma ferramenta superlativa,
capaz de otimizar ao máximo as relações entre turista e comunidade no processo
de construção de roteiros.
Histórias, imagens, trajetos, atrativos: material bruto que,
quando lapidado de forma correta, agiliza e enriquece o trabalho do guia.
Ferramentas como o Google, nas versões normal e acadêmico, facebook,
TripAdvisor, entre outras, permitem a aquisição de conhecimento amplo, com
acesso a pesquisas e avaliações que munem o profissional de informações para
que o mesmo possa contextualizar os destinos e selecionar aquilo que seja
turisticamente vendável. Essa seleção faz parte do processo de construção
imagética do turismo, no qual o recorte escolhido define a visão que o
visitante terá acesso sobre determinado destino.
Nessa mesma linha, a ferramenta de mapas faz com que, mesmo
de longe, o guia possa ter conhecimento de como se deslocar melhor em
determinado lugar, escolhendo os melhores trajetos e, por consequência,
otimizando o passeio. Atualmente, essa
ferramenta possui um alcance universal, criando uma rede infindável de destinos
que podem ser visitados pelo meio virtual. Somado a isso, a ferramenta “street
view” potencializa esse conhecimento geográfico ao promover mais que um simples
sentido cartográfico, ou seja, permite que o usuário conheça, de fato, as
características da via a qual ele pretende utilizar, aproximando-o do espaço.
Ainda com relação ao “street view”, desde o final do ano
passado o Google já está registrando áreas subaquáticas marinhas, iniciando
pela região do arquipélago de Fernando de Noronha (PE). A iniciativa faz parte
dos planos nada modestos da empresa de mapear todas as superfícies do planeta,
dentre elas as mais remotas. Devaneio ou realidade? Futuro ou presente? Quais
os benefícios disso para a atividade do guia? É a tecnologia a serviço do
turismo.
E essas ferramentas foram amplamente utilizadas durante o
processo de construção dos roteiros desenvolvidos no curso de guia de turismo.
A cada novo destino, mapas e informações iam sendo construídos na tentativa de
buscar as melhores rotas e as melhores histórias. Tempo, restaurantes,
opcionais, hotéis, atrativos: tudo graças a um mouse e uma tela.
Mas, em meio aos devaneios e elucubrações mais férteis sobre
a temática virtual, uma palavra emana variáveis: acessibilidade. Estar
disponível é o mesmo que ser acessível? Será que todos sabem usar as
ferramentas existentes? E para aqueles que usam, será que exploram as
possibilidades da maneira mais completa? O grande desafio das profissões e dos
profissionais de hoje é se adaptar às exigências de um mercado cada vez mais
virtual e informatizado, fator este que é determinante para definição e seleção
dos chamados “aptos” para o serviço.
Assim com a quase totalidade das áreas, a atividade do
guiamento também passou por esse processo de adaptação e está evoluindo com a
tecnologia. Antes feita com papel, caneta, mapas físicos e vários guias
turísticos, a profissão se integra cada vez mais ao mundo virtual,
transformando hardwares e softwares em ferramentas de trabalho.








